quinta-feira, 12 de abril de 2012

Pequena tortura



Me afogando em meio as profundezas do mar, aonde só existe escuridão e silêncio, as duas piores coisas para o esquecimento de uma pessoa sozinha.
 Lá no fundo, bem no fundo, você vê a luz lá em cima. 
E nada, nada e nada, mas não consegue sair do lugar. 
Como se uma ancora estivesse lhe segurando lá em baixo, para que morresse afogada.  
O desespero toma conta de você e você não sabe o que fazer.  
Assim que avista uma pedra, uma pedra ponte aguda próxima de você logo pensa no pior. 
Sua cabeça, cheia de pensamentos, cheia do mundo, cheia de medo, cheia tudo! 
A única coisa que consegue pensar é em estancar aquele medo e dor.  Quando se vê, esta batendo com a pedra no peito, tão forte, mas tão forte que não percebe os buracos que está fazendo em seu peito. 
Quando se vê em si, olha para o nada e vê uma cor vermelha dentre as águas, e percebe que toda aquela água da cor diferente das outras é teu sangue. 
O sangue que sai de seu peito.
 E tem medo de que seja seu fim, mesmo você sabendo e provocando aquilo. 
Me desespero e começo a nadar novamente, só que agora vejo que estou saindo do lugar... 
Coloco minha cabeça para fora da água e dou meu último suspiro. 
Só que já era tarde demais... 

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Sonho de uma morte



Medíocre, ignorante, resignado ao mal. É assim meu coração. Dói, fere, machuca. Mas o que posso fazer para não ser mais assim?

Faço-me essa pergunta todos os dias, nos quais, eu sentada nessa cama, nesse quarto vazio, num silêncio absoluto, eu choro. É difícil ter que explicar isso, pois é algo que poucos sentem. É algo que só quem tem um coração tão ferido pelo amor, pode sentir. Uma aparência bela, uma imagem perfeita, um sorriso deslumbrante; é assim que se faz a minha imagem, a minha aparência. Aparência... Ah! Essa maldita aparência, que ilude a mim mesma. Com um sorriso no rosto um dizer de: “Estou ótima”. Vou aos céus, caminho pelas nuvens. Minha felicidade se torna constante. Constante? Palavra errada! Uma felicidade que fica por poucos instantes, horas contadas nos dedos, ou até mesmo, nem isso.  Dos céus, eu vou para o inferno, aonde minha tormenta se torna maior. Da maciez das nuvens ao espinho de uma rosa vermelha... Como sangue que corre em minhas veias. Que em algumas vezes torço para que parem de correr dentro de mim. Pois será, talvez, o único modo de que toda essa dor pare de uma vez por todas. Já sentiu a dor de três adagas entrando em teu peito? O sangue escorrendo pelo teu corpo, a pele que fica trêmula e pálida? Isso talvez pudesse também, tirar um pouco dessa pequena grande dor de dentro de mim.  Um corte de redenção, um corte de libertação.

Sinto-me como se fosse morrer, dentro de alguns instantes.  Agora isso irá parar, é apenas uma questão de tempo, de esperança.

  Ouço com cada detalhe, meu coração parando lentamente, sinto cada batida forte dentro de mim, que cada vez dói mais. Sinto meu corpo paralisar, já nada mais de meu corpo responder aos meus comandos. Minhas pálpebras  já também não são mais controladas. Sinto cada pedaço meu falecer. O único e ultimo sentido que me resta é a visão... Só que cada vez mais embaçada, mais escura. E logo tudo se apaga. Já não me sinto mais, e logo, minha triste realidade vai chegando ao fim. A única coisa que sinto é uma vaga lembrança do que eu era, é uma simples memória do que fui. Sinto apenas, agora, uma calma, uma calma constante dentro de mim. E sim, agora posso descansar em paz.
Ao ouvir um barulho, me sento na cama assustada, com uma sensação estranha. Minha respiração ofegante e meu coração acelerado, eu tinha acordado. Coloco a mão sobre minha cabeça e vejo que tudo não passou de um sonho, deito novamente minha cabeça do travesseiro e vejo que minha realidade persiste em continuar viva diante de meus olhos. Fecho os olhos completamente e espero chegar a próxima noite, a noite na qual, terei o meu tão esperado  sonho de uma morte libertadora...