quinta-feira, 5 de abril de 2012

Sonho de uma morte



Medíocre, ignorante, resignado ao mal. É assim meu coração. Dói, fere, machuca. Mas o que posso fazer para não ser mais assim?

Faço-me essa pergunta todos os dias, nos quais, eu sentada nessa cama, nesse quarto vazio, num silêncio absoluto, eu choro. É difícil ter que explicar isso, pois é algo que poucos sentem. É algo que só quem tem um coração tão ferido pelo amor, pode sentir. Uma aparência bela, uma imagem perfeita, um sorriso deslumbrante; é assim que se faz a minha imagem, a minha aparência. Aparência... Ah! Essa maldita aparência, que ilude a mim mesma. Com um sorriso no rosto um dizer de: “Estou ótima”. Vou aos céus, caminho pelas nuvens. Minha felicidade se torna constante. Constante? Palavra errada! Uma felicidade que fica por poucos instantes, horas contadas nos dedos, ou até mesmo, nem isso.  Dos céus, eu vou para o inferno, aonde minha tormenta se torna maior. Da maciez das nuvens ao espinho de uma rosa vermelha... Como sangue que corre em minhas veias. Que em algumas vezes torço para que parem de correr dentro de mim. Pois será, talvez, o único modo de que toda essa dor pare de uma vez por todas. Já sentiu a dor de três adagas entrando em teu peito? O sangue escorrendo pelo teu corpo, a pele que fica trêmula e pálida? Isso talvez pudesse também, tirar um pouco dessa pequena grande dor de dentro de mim.  Um corte de redenção, um corte de libertação.

Sinto-me como se fosse morrer, dentro de alguns instantes.  Agora isso irá parar, é apenas uma questão de tempo, de esperança.

  Ouço com cada detalhe, meu coração parando lentamente, sinto cada batida forte dentro de mim, que cada vez dói mais. Sinto meu corpo paralisar, já nada mais de meu corpo responder aos meus comandos. Minhas pálpebras  já também não são mais controladas. Sinto cada pedaço meu falecer. O único e ultimo sentido que me resta é a visão... Só que cada vez mais embaçada, mais escura. E logo tudo se apaga. Já não me sinto mais, e logo, minha triste realidade vai chegando ao fim. A única coisa que sinto é uma vaga lembrança do que eu era, é uma simples memória do que fui. Sinto apenas, agora, uma calma, uma calma constante dentro de mim. E sim, agora posso descansar em paz.
Ao ouvir um barulho, me sento na cama assustada, com uma sensação estranha. Minha respiração ofegante e meu coração acelerado, eu tinha acordado. Coloco a mão sobre minha cabeça e vejo que tudo não passou de um sonho, deito novamente minha cabeça do travesseiro e vejo que minha realidade persiste em continuar viva diante de meus olhos. Fecho os olhos completamente e espero chegar a próxima noite, a noite na qual, terei o meu tão esperado  sonho de uma morte libertadora...

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