quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Só sei dançar com você


Lembro-me como se fosse hoje... 
Depois daquela noite cheia de gente, caminhamos para aquele lugar só nosso... Com a sandália na mão, já cansada de andar, tinha meu braço por volta da sua cintura e seu braço por cima de meu ombro, e íamos rumo ao nosso recanto, cambaleando, cambaleávamos de tanto rir e das nossas brincadeiras, brincadeiras que eram apenas nossas. E quem diria, eu só sei dançar com você.
 Alguns momentos você corria na minha frente e me esperava lá longe, nesse momento meus pensamentos todos cheios de nós iam se desfazendo e eu ia vendo tudo o que eu queria; tudo o que eu queria bem na minha frente.

A luz da lua era a nossa única claridade para aquela noite e tudo ficava bem mais lindo com aquela brilhosa e requentada iluminação.  

Logo tínhamos chegado ao nosso ponto, ao nosso lugar tão esperado por toda aquela noite, que ia morrendo mais rápido quando estava contigo. O dia insistia em nascer bem mais rápido.  Aquele lugar gramado, perto do penhasco de frente para o mar e perto da nossa admiradora secreta, a nossa lua.  
Esticávamos um lençol no chão e deitávamos ali mesmo, enroladinhos em um só, para que pudéssemos nos sentir mais próximos um do outro.  E quem diria meu menino, eu só sei dançar com você.

Na na na na na na, cantávamos los hermanos embalando nosso fim de noite, passávamos as outras poucas horas que tínhamos conversando e cada passo que eu dava naquela nossa dança  eu sentia minha perna tremer de agonia, mas eu nunca sei rodar, não sei dois pra lá, nem dois pra cá, não sei valsar...  No embalo dos nossos sussurros  desgovernados, desafinados e mal elaborados íamos enchendo nosso peito de felicidade e carinho. E quem diria, eu só sei dançar com você.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013


Trato trocado, trato selado, trato do grande nada, nosso nada...
 aconchegante
desesperante
delirante
angustiante
brilhante
avante!

Descobrir seus mistérios devagarzinho
Assim como quem não quer nada
E ir guardando 
Em um bauzinho, 
Só 
Pra 
Mim.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A perda.


Eu tenho medo de perder assim como tenho de ganhar. Quando você ganha algo, sabe que isso será algo bom, só que sempre tem um final e todo mundo sabe que finais nunca são bons...

É algo rotativo sabe? É como se você jogar uma pedra, uma hora ou outra ela irá cair.

Mas como sempre, tem gente que insisti nisso... Insisti que não haverá e que o pra sempre existe, convenhamos claro, que sonhar nunca foi proibido a ninguém, mas sejamos racionais e realistas por alguns momentos... Pelo menos uma vez na vida, sonhar com coisas abstratas é uma coisa, sonhar com coisas superficiais é algo totalmente diferente. Ainda mais quando envolve outra pessoa nisso, outro ser humano. Seres humanos são monstros, (alguns) criados com mais inteligência e outros sem um pingo de inteligência.

Mas quando assunto é perder, tudo se torna algo extremamente cuidadoso. Perder algo próprio é uma dor que pode ser compartilhada, você pode contar a alguém, falar... Fazer o que for que te entenderão. É uma dor que você esquece que  pode ser compartilhada.

Agora se isso for sentimental, podem durar dias, semanas, mas pode nunca passar... Pior quando você ainda tem esperanças de não ter perdido esse algo/alguém e essa esperança acaba do nada, você sente como se tudo o que lutou até aquele momento fosse uma folha de papel, que você amassava e instantaneamente jogava na lixeira, é mais ou menos isso perder a esperanças...

  Ela demora tempos para ser conquistada e leva segundos para perdê-la.

E ai, você percebe que perdeu aquela pessoa que te segurou no braço e disse várias vezes que não ia te abandonar que não ia sumir; e ela vai sumindo, cada dia mais vai se afastando e você não pode fazer nada, apenas observar, porque você já fez tudo o que deveria ter feito.  Nem se quer pode dizer uma palavra, você só pode simplesmente observar. Com aquele grito guardado no peito, aquela montanha de sentimentos que vão te sufocando cada vez mais e mais e você já não têm outra saída e as únicas coisas que passam pela sua cabeça é a partida daquela pessoa e a vontade de arrancar do peito tudo aquilo.